Males entendidos
Mal a viu pôde reconhecê-la. Sim, era o seu amor de juventude, 30 anos depois. Foram ao encontro um do outro e ele se atreveu primeiro:
– Lembra de mim?
Ela riu o mesmo sorriso jovial:
– Como poderia esquecer?
– Tanto tempo, não é mesmo?
– Pois é… O que fizeste neste tempo?
– Sobrevivi, trabalhei, paguei impostos – risos.
– Te casaste?
– Não e você?
– Sim, sou viúva.
– Ah… Tem filhos?
– Tenho uma filha. Está grande já, ano que vem entra na faculdade.
– Faculdade, olha! De que?
– Ela ainda não decidiu.
– Como a mãe – risos.
Risos e silêncio. Ele interrompe:
– Foi muito bom ver você, de verdade.
– Para mim também, é bom ver que está bem.
– Poderia ter sido diferente, não é mesmo?
– Poderia… – Pausa reflexiva – Se você tivesse respondido àquela mensagem em que te disse que estava confusa, que eu queria ao mesmo tempo que não queria, mas que engoliria meu orgulho uma única vez na vida apenas se você me respondesse que “sim”.
Silêncio.
– Foi mesmo muito bom te ver – diz ele e a abraça.
– Fica bem.
Ela caminha, mais uma vez, no mesmo sentido, na direção oposta. Ele contempla, mais uma vez, parado, como ela vai e como ela vai bem, sem olhar para trás. Enquanto vê seu vulto desaparecendo no horizonte ele só consegue murmurar uma coisa:
– Maldita TIM….